O que é Economia da Saúde?

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Autoria: COMISSÃO DE EPIDEMIOLOGIA E ECONOMIA DA SAÚDE
28/04/2011
O que é Economia da Saúde?

A Economia da Saúde consiste na aplicação da disciplina de métodos da “economia” aos tópicos da “saúde”, visando a obtenção de eficiência na alocação dos recursos em cuidados em saúde.

A Economia da Saúde é para eu ter um tratamento mais barato?

NÃO. O princípio básico da Economia da Saúde é assumir que saúde não pode ser avaliada como os demais setores da economia. Por esta razão, houve a necessidade de fazer com que essas duas áreas se olhassem frente a frente e desenvolvessem uma área em comum, que é a Economia da Saúde.

É importante chamar a atenção que a Economia da Saúde não objetiva cortar custos de modo inconseqüente, mas sim avaliar a melhor forma de alocar os escassos recursos disponíveis, de modo a garantir a eqüidade da assistência à saúde. Por isso, promove estudos que possam auxiliar ao desenvolvimento de uma avaliação econômica.

E como se faz uma avaliação econômica em saúde? Ela leva em conta o benefício para a minha qualidade de vida?

Uma avaliação econômica considera os custos de aquisição do tratamento (medicamento, por exemplo), monitoração de efeitos adversos (como os exames laboratoriais), tratamento de efeitos adversos (exames, internações e perda de dias de trabalho). Da mesma forma, os resultados deste tratamento são medidos. Para avaliarmos se um novo medicamento deve ou não ser incorporado, o que precisamos saber é se o custo adicional desse novo medicamento compensa o ganho adicional que ele proporciona. Esse ganho adicional pode ser avaliado em termos de redução da dor, redução da atividade inflamatória, redução de eventos adversos, satisfação do paciente com a forma de uso, dentre outros atributos.

Aqueles tratamentos que possuem menor custo e melhores resultados são as opções que imediatamente deveriam ser adquiridas. Em alguns casos, no entanto, os melhores resultados são obtidos com tratamentos de maior custo. Nessas situações, o gestor deve considerar os ganhos (melhores resultados) e qual o valor a mais que deveria pagar para aquisição do tratamento. A seguir, vamos dar um exemplo de uma avaliação econômica.

Consideremos um antiinflamatório A que tenha o custo de R$ 55,00 e reduz 30% da dor dos pacientes com artrite reumatóide. Outro antiinflamatório, B, tem o custo de R$ 35,00 e reduz 20% da dor dos pacientes.

CUSTOS (A) – CUSTOS (B)
———————————–
RESULTADOS (A) – RESULTADOS (B)

Considerando o nosso exemplo, temos:

R$ 55,00 – R$ 35,00
———————————–
30 % – 20 %

Isso significa que teremos que avaliar a seguinte situação:

R$ 20,00 (A MAIS NA COMPRA DE “A”)
——————————————————-
10% (A MAIS NA REDUÇÃO DE DOR)

Neste exemplo, podemos ter dois caminhos a decidir:

a. Pagar a diferença para compra do antiinflamatório A, obtendo melhores resultados.
b. Comprar o antiinflamatório B. Empregar os recursos que gastaria para aquisição do antiinflamatório A na compra de medicação para outra doença, como a osteoartrite, por exemplo.

Então, a Economia da Saúde pode ajudar não somente ao gestor da saúde, mas também ao meu médico e a mim, quando surge uma nova alternativa para o tratamento da minha doença?

Sim. O objetivo final de uma avaliação econômica no setor saúde é oferecer subsídios para uma Avaliação Tecnológica em Saúde (ATS), que é um processo de investigação das conseqüências clínicas, econômicas e sociais da utilização das tecnologias em saúde.

Quem cuida da ATS no Brasil?

No Ministério da Saúde, a ATS é uma das atribuições da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, através da atuação do Departamento de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de institucionalizar a ATS no SUS. Entendem-se como tecnologias em saúde: medicamentos, equipamentos e procedimentos técnicos, sistemas organizacionais, educacionais, de informação e de suporte e os programas e protocolos assistenciais, por meio dos quais a atenção e os cuidados com a saúde são prestados à população.

Algumas conquistas incipientes têm sido alcançadas no contexto das doenças reumatológicas, visando garantir um espaço de discussão e avaliação das tecnologias a serem incorporadas para o cuidado das doenças reumatológicas. Para que tudo isso ocorra, um dos principais desafios é conhecermos a distribuição das nossas doenças no país. Esta é uma atribuição da Epidemiologia.

E o que é epidemiologia?

O uso comum do termo epidemiologia tem dois significados. O primeiro é a descrição da ocorrência de uma doença e os fatores de risco – demográficos, genéticos e ambientais – para o seu desenvolvimento. O segundo significado cobre a abordagem metodológica para investigar não somente a ocorrência de doença e sua etiologia, mas também o desenvolvimento de critérios de classificação de doenças, estudos da história natural, estudos de intervenção, incluindo ensaios clínicos e avaliação de testes clínicos (como os exames laboratoriais, exames de imagem etc).
É um erro comum atribuir o termo “estudo epidemiológico” para estudos observacionais. Estudos epidemiológicos compreendem um conjunto de modelos, que podem ser tanto observacionais, quanto de intervenção. Nesse último caso, são aqueles estudos que procuram testar as conseqüências de um novo tratamento para uma determinada doença.

Mas qual a relevância desse tipo de conhecimento para o cuidado da minha doença?

Podemos citar como principal atribuição da epidemiologia auxiliar o processo de decisão para uma dada questão em saúde, de modo crítico e sistemático, sejam decisões individuais (no contexto do médico e do paciente), sejam decisões coletivas, subsidiando o desenvolvimento de políticas públicas e decisões reguladoras relacionadas a problemas de saúde.

E o quanto se sabe sobre a epidemiologia das doenças reumáticas no Brasil?

Muito pouco. Os desafios são diversos, tanto no Brasil, quanto em todo o mundo. Como principais desafios, podemos citar situações em que seja difícil se definir um caso, em conseqüência das apresentações menos graves das doenças, ou mesmo apresentações pouco características, cujo significado clínico seja pouco compreendido. Outra dificuldade para o desenvolvimento da epidemiologia das doenças reumatológicas é conhecer a gravidade e a mortalidade dessas doenças. Por exemplo, um paciente com lúpus pode ter também hipertensão e diabetes. Ao tentarmos avaliar os dados estatísticos desse paciente, nem sempre os encontramos, pois normalmente são registrados os dados mais comuns.

Considerando os desafios, muitos esforços têm sido promovidos no sentido de promover maiores estudos nesta direção. O objetivo destes esforços é promover condições para que decisões criteriosas sejam feitas, visando o ganho de qualidade de vida de nossos pacientes e o bem-estar da sociedade.

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