Influenza – informe 2016

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A SBR publicou um texto com informações sobre a gripe influenza.  De autoria da dra. Gecilmara Salviato Pileggi, reumatologista pediátrica do Hospital das Clínicas (USP), o texto traz, entre outros itens, aspectos e recomendações sobre a vacina, incluindo respostas para dúvidas frequentes, além de informações sobre fatores de risco de contaminação e tratamento.

Aspectos clínicos – Sinais e sintomas

Infecção aguda das vias aéreas que cursa com febre em média com seis dias de evolução. A febre geralmente é mais acentuada em crianças.

Os demais sinais e sintomas são habitualmente de aparecimento súbito, como: tosse seca, rinorreia, calafrios, mal-estar, cefaleia, mialgia, dor de garganta, artralgia e prostração. Podem ainda estar presentes: diarreia, vômito, fadiga, rouquidão e hiperemia conjuntival.

As queixas respiratórias, com exceção da tosse, tornam-se mais evidentes com a progressão da doença e mantêm-se, em geral, por três a quatro dias após o desaparecimento da febre. A tosse, a fadiga e o mal-estar frequentemente persistem pelo período de uma a duas semanas.

Vacina

A vacinação é a intervenção mais importante na redução do impacto da influenza. A vacinação anual é a principal medida utilizada para prevenir a doença, reduzindo seu agravamento, especificamente nos grupos de maior vulnerabilidade e com maior risco para desenvolver complicações.

É recomendada vacinação anual contra influenza para os grupos-alvos definidos pelo Ministério da Saúde, mesmo que já tenham recebido a vacina na temporada anterior, pois se observa queda progressiva na quantidade de anticorpos protetores. Esta recomendação é válida mesmo quando a vacina indicada contém as mesmas cepas utilizadas no ano anterior.

Vacina muda todo ano: A vacina de gripe é atualizada todos os anos para adequá-la aos vírus circulantes naquela estação e sua composição é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As vacinas influenza utilizadas em nosso país até o ano passado eram trivalentes, contendo uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B. As novas vacinas quadrivalentes licenciadas em 2015 contemplam, além dessas três, uma segunda cepa B. Ambas as vacinas, tri e tetravalente, são inativadas e não possuem adjuvantes em sua composição. O perfil de segurança é o mesmo.

Segundo o Ministério da Saúde, a campanha de vacinação acontece em todo o Brasil de 30 de abril a 20 de maio.

 NOTA IMPORTANTE:

Enquanto a campanha nacional não começa, algumas cidades do Noroeste do Estado de São Paulo – onde o número de casos de H1N1 cresceu muito este ano – estão vacinando os grupos prioritários com lotes da vacina de 2015 solicitados ao Ministério da Saúde.

Esta estratégia é válida para controle da gripe causada por influenza H1N1, o qual não sofreu mudanças em comparação à do ano passado, por isso os lotes de 2015 são eficazes contra a H1N1. Porém, essa iniciativa pode gerar falsa impressão de proteção para a sazonalidade de 2016, o que pode fazer a população não comparecer à campanha de vacinação anual que começa oficialmente dia 30/04 em todo o país.

A Organização Panamericana de Saúde (Opas) destacou ser necessário atualizar a vacina, uma vez que a vacina para 2016 é composta por duas cepas diferentes daquela da temporada de 2015 e a proteção contra os outros dois vírus da gripe – H3N2 e Influenza B – ficaria comprometida.

Caso a pessoa receba a vacina de influenza 2015, a Opas e o Ministério da Saúde alertaram que ela deverá também ser vacinada durante a campanha de 2016 para garantir a proteção contra as cepas dos vírus influenza circulantes neste ano.

Crianças com menos de 9 anos de idade, primo vacinadas, necessitam de segunda dose da vacina com intervalo de um mês para serem consideradas vacinadas.

Dúvidas frequentes:

  • Há algum grupo prioritário para receber a vacina quadrivalente?

As recomendações para as vacinas quadrivalentes são as mesmas que aquelas previstas para as trivalentes. Portanto, é importante lembrar que os grupos de maior risco para as complicações e os óbitos por influenza não devem deixar de se vacinarem utilizando a vacina que estiver disponível. Para idosos, gestantes e crianças de 6 meses a 5 anos, acesso gratuito à vacina na rede pública. Os demais grupos de risco, portadores de doenças crônicas e comorbidades, em qualquer faixa etária nos CRIEs.

  • A vacina pode ser aplicada simultaneamente com outras vacinas?

Tanto as vacinas trivalentes, como as quadrivalentes podem ser aplicadas simultaneamente com as demais vacinas do calendário da criança, do adolescente, adulto ou idoso.

  • A vacina pode ser utilizada em imunodeprimidos?

Sendo esta uma vacina inativada, não há restrições de uso em populações imunocomprometidas, que têm a indicação de vacinação especialmente reforçada.

Condições e fatores de risco para complicações – indicação da vacina pelo MS

  • Grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até duas semanas após o parto.
  • Adultos ≥ 60 anos.
  • Crianças < 5 anos
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas e outras doenças que comprometam a imunidade: imunossupressão associada a medicamentos, neoplasias, HIV/Aids ou outros.

Tratamento: uso de antivirais na infecção por influenza

Os antivirais fosfato de oseltamivir (Tami u®) e zanamivir (Relenza®) são medicamentos utilizados contra o vírus influenza. O tratamento com o antiviral, de maneira precoce, iniciado até 48 horas do início dos sintomas, pode reduzir a duração destes e, principalmente, resultar na redução da ocorrência de complicações da infecção.

O Ministério da Saúde ressalta que todos os Estados estão abastecidos com o Fosfato de Oseltamivir, medicamento para tratar a doença, que devem disponibilizá-lo em suas unidades de saúde. É importante que o medicamento seja administrado nas 48 horas a partir do início dos sintomas.

Posologia e administração

Influenza – posologia.docx

Outras informações podem ser obtidas nos seguintes endereços:

www.saude.gov.br/svs (Secretaria de Vigilância em Saúde/MS)

www.who.int/en/ (Organização Mundial da Saúde)

WHO vigilância e monitoramento- www.who.int/influenza/surveillance_monitoring/en/

WHO influenza – www.who.int/influenza/en/

www.paho.org (Organização Pan-Americana da Saúde)

www.cdc.gov (Centers for Disease Control and Prevention)

www.anvisa.gov.br (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

www.sbim.com.br (Sociedade Brasileira de Imunização)

MS-portalsaude.saude.gov.br/index.php/o- ministerio/principal/secretarias/svs/influenza

Dra Gecilmara Salviato Pileggi

Reumatologia Pediátrica

HCFMRP-USP

Iniciativa da Comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da SBR

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