Benefício de colágeno às articulações não tem comprovação científica

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Reumatologista da Comissão de Osteoartrite, da SBR, explica que não há dados que comprovem tal benefício.

A absorção de colágeno seria um benefício para as articulações, segundo reportagem veiculada na Revista Saúde, em que é recomendado o consumo de alimentação que contenham a matéria-prima de fabricação do colágeno nas células cartilaginosas, que é o condroblasto.

Entretanto, o reumatologista Francisco Airton Rocha, membro da comissão de Osteoartrose, da SBR, ressalta que não há comprovação científica de que o colágeno aja beneficamente nas articulações.

Para esclarecer melhor, Rocha explica como o colágeno se forma no organismo do mesmo jeito que qualquer outra proteína do corpo : “O colágeno, na realidade os colágenos, pois há mais de 20 deles, são formados por processo dentro das células para fabricar proteínas, que são sequências de peptídeos, que por sua vez são cadeias de aminoácidos, que vêm do DNA”, explica Rocha, detalhando ainda que  o colágeno é uma estrutura de tripla hélice, como se fosse uma corda trançada. “Mas há um problema importante: a fibra só é montada completamente fora da célula, significando que não basta produzir colágeno, mas é preciso montá-lo corretamente. Isso é feito fora da célula”, salienta Rocha, dizendo que a  falta de vitamina C impede a estabilização e montagem do colágeno do tecido conjuntivo “e isso é a razão do escorbuto, aquele problema que os marinheiros das caravelas tinham”, diz Rocha.

Sem vitamina C, explica o reumatologista, as estruturas que sustentam alguns tecidos ficam “frouxas” e dessa forma, os dentes se despegam e os vasos se rompem com facilidade, entre outras ocorrências. “Mas os portugueses resolveram isso simplesmente passando a levar alguns limões ou coisa parecida a bordo das caravelas para acrescentar à dieta. Logo, a quantidade de vitamina C que precisamos é ínfima e praticamente ninguém sofre mais disso”, diz Rocha.

Falando especificamente sobre o pretenso benefício do colágeno para as articulações, como afirma a entrevistada da reportagem, Rocha diz que não há nenhum dado científico que mostre que as articulações carecem de colágeno, “a não ser em casos congênitos, quando a pessoa nasce com um problema específico. Mas isso é absurdamente raro”, salienta.

Ainda segundo a reportagem da Revista Saúde, que, após os 30 anos, decresce a produção de colágeno, mas Rocha faz ressalvas quanto a essa afirmação, dizendo que não é ainda clara essa diminuição: “Talvez até caia a produção de colágeno, mas não há nenhum dado de que isso seja a razão de problemas específicos”, diz Rocha, ressaltando que essa relação não deve ser mesmo real, pois o que acontece nos indivíduos com osteoartrite é uma neoformação óssea, com osso de baixa qualidade, com colágeno na sua composição. “Logo, não cai a produção. Pode até ser que ela seja malfeita, mas isso está por ser demonstrado.”

Absorção de aminoácidos

A reportagem menciona ainda que a dose diária ideal  de aminoácidos, formadores de colágeno, é de 10 g, particularmente alimentos de origem animal. Mas Rocha discorda: “Basta, como as nossas mães e avós nos ensinaram, comer para viver e não viver para comer. Qualquer produto de origem animal, vale dizer carne de bicho e não de soja, tem tudo que a gente precisa. Mas mesmo vegetarianos, combinando várias coisas, conseguem ingerir todos os aminoácidos essenciais que, salvo engano, são apenas 20 para a espécie humana”.

Quanto à outra afirmação constante da reportagem, de que é recomendável o consumo de nutrientes  (vitaminas A, C e E; zinco; selênio, etc) que estão em alimentos e que também favorecem a transformação em peptídeos e em colágeno, Rocha só destaca a vitamina C, mesmo assim, salientando novamente que “só faz falta, ou fez,  nas caravelas”. O restante, diz ele, não tem nenhuma comprovação científica.

O recado final de Rocha par o tema é: faça exercícios, namore bastante, pode ler também que ajuda e se alimente para viver. O resto é o imponderável.

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