Epicondilite Lateral

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Autoria: Comissão de Reumatologia Ocupacional
09/08/2011

1. O que é epicondilite lateral?

A articulação do cotovelo consiste no osso do braço (úmero) e um dos ossos do antebraço (ulna). As saliências ósseas encontradas na parte inferior do úmero são chamadas de epicôndilos. A borda do lado de fora do cotovelo é chamada de epicôndilo lateral e a interna de epicôndilo medial. Os músculos do antebraço que se estendem do punho estão ligados a estas protuberâncias ósseas pelos seus tendões.

A epicondilite lateral ou “tendinite do tenista” é a principal causa de dor na região do cotovelo. Caracteriza-se por dor na região do epicôndilo lateral (face lateral do cotovelo), onde se localizam 6 tendões, os quais exercem ações de supinação do antebraço e extensão do punho e dedos, principalmente.

Embora seja chamada de epicondilite, essa designação não reflete a realidade fisiopatológica da enfermidade, uma vez que não foi encontrada, em diversos estudos, qualquer evidência de processo inflamatório. Do mesmo modo o termo “tendinite do tenista” não sustenta a sua incidência, pois acomete mais a população em geral, particularmente na quarta e quinta décadas da vida, do que somente tenistas. Na realidade, este grupo corresponde apenas a uma pequena parcela dos pacientes.

2. Como acontece a epicondilite lateral?

Entre as atividades que podem causar uma epicondilite lateral, podemos considerar práticas esportivas que utilizam raquetes e tacos e que necessitam de impulso, vigorosas extensões do cotovelo ou supinações do antebraço. Algumas ocupações, como trabalhar em carpintaria, laborar com máquinas e exercer excesso de digitação. Por outro lado, também é evidenciada em pessoas sedentárias. Também  pode ser vista em pessoas que dormem com um apertar inconsciente da mão (com a mão fechada). A grande maioria dos eventos, entretanto, não possui uma causa identificada.

Esta condição patológica ocorre principalmente pelo envolvimento da origem do tendão extensor radial curto do carpo e, em menor grau, pela porção antero-medial do tendão extensor comum dos dedos.

Quando há lesão, a mesma provavelmente resulta da aplicação de tração contínua por repetição, resultando em micro-rupturas dessas estruturas anatômicas, seguidas de fibrose e formação de tecido de granulação e falha no processo de reparo, traduzindo, portanto, mais degeneração do que inflamação.

3. Quais são os sintomas?

Os sintomas da epicondilite são: dor ou sensibilidade sobre o epicôndilo lateral, que se irradiam ao longo dos músculos extensores, podendo ser insidiosa ou repentina, na dependência do estímulo causal; dor que se agrava por pequenos movimentos do cotovelo, podendo incomodar e prejudicar a realização de atividades comuns, tais como escovar os dentes, abrir uma porta, escrever ou levantar um copo cheio.

4. Como é diagnosticada a epicondilite lateral?

O reumatologista irá perguntar sobre suas atividades e realizará um exame físico, para encontrar uma dor localizada à palpação do epicôndilo lateral. Fará várias manobras que irão reproduzir a dor apresentada. Esses testes serão fundamentais para o diagnóstico, que é puramente clínico.

As radiografias do cotovelo são de pouco auxílio no diagnóstico. Poucos casos podem apresentar calcificações na área correspondente à inserção dos tendões no epicôndilo lateral, sem significar pior prognóstico.

A ultrassonografia é outro método de imagem que pode contribuir para o diagóstico, porém é um método operador-dependente.

A ressonância magnética pode demonstrar o comprometimento, podendo também ser utilizada  para os casos de dúvida no diagnóstico clínico ou sem alterações no exame de ultrassom.

5. Como é o tratamento da epicondilite lateral?

Existe uma variedade de modalidades terapêuticas, tanto conservadoras quanto cirúrgicas. Geralmente, a história natural da enfermidade aponta para um desaparecimento espontâneo em cerca de 70% a 80% dos casos no período de algumas ou até meses.

O tratamento inicial é conservador, objetivando o controle da dor. Repouso é recomendado, envolvendo restrições das atividades repetitivas, tanto ocupacional como esportivas, além de mudanças em alguns hábitos da rotina diária. Recomenda-se o uso de crioterapia, analgésico e antiinflamatório. A fisioterapia tem eficácia duvidosa e sem evidências científicas comprovadas.

Infiltrações com corticóides podem ser realizadas, com bons efeitos, principalmente no início, não se sustentando ao longo prazo e nas recidivas. As infiltrações com toxina botulínica ou ondas de choque necessitam de mais estudos para comprovação de evidência favorável.

Exercícios de estiramento passivo e exercícios ativos devem ser instituidos após desaparecimento da dor, inicialmente sem carga e, posteriormente, com pesos.

O tratamento cirúrgico deve ser pensado quando existe dor permanente e sem resposta aos tratamentos convencionais.

6. Qual é o tempo para recuperação de uma crise de epicondilite lateral?

O tempo para recuperação de uma crise de epicondilite depende de muitos fatores, tais como a faixa etária, condições médicas associadas, gravidade do quadro e história de episódios recidivantes. Um quadro leve pode durar algumas semanas para sua recuperação. Entretanto, quando há evidência de lesão intensa, pode até seis ou mais semanas para o total restabelecimento.

7. Como posso previnir um quadro de epicondilite lateral?

Faça de forma apropriada a realização de esportes e de suas atividades laborais.
Efetue aquecimento antes de praticar atividades esportivas ou outras atividades com o cotovelo ou músculos dos membros superiores.

Faça alongamentos antes e após os exercícios.

Quando realizar atividades laborais, mantenha a postura correta para não sobrecarregar a articulação do cotovelo e os músculos do braço.

Devem ser evitadas as atividades repetitivas e evitados os esforços estáticos com os membros superiores.

Última atualização (09/08/2011)

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